Imobiliárias projetam dois anos de recuperação


13/09/2017 12:00:35

O período de austeridade na economia brasileira também exerce seu impacto em uma parte importante do mercado da construção - a compra, a venda e os aluguéis de imóveis usados. Depois de períodos de grande valorização, até o início desta década, o setor experimentou retrações em diferentes aspectos - como preços, procura e tempo de locação. Mas também existe a expectativa de que os próximos dois anos tragam uma nova fase positiva para a área imobiliária.

Um dado curioso fornecido pelo Sindicato da Habitação do Rio Grande do Sul (Secovi-RS) sugere que o investimento em imóveis não deixou de ser uma opção rentável. De acordo com a entidade, a variação do preço médio do aluguel por metro quadrado ficou acima da inflação, no acumulado dos últimos 100 meses. Em números de junho deste ano, esse acumulado foi de 81,14% nos aluguéis, contra 57,82% no IGP-M - mesmo com as quedas de preços verificadas em 2016 e 2017.

"Tudo indica que tende a melhorar. Quem está alugando também pode negociar, tem alguma gordura", explica o presidente do Secovi, Moacyr Schukster. "Tem que comprar imóvel agora, que o preço está estável. O preço da locação parou de cair, e o preço da venda está subindo", acrescenta o dirigente.

Schukster admite que o ritmo do mercado tornou-se bem mais lento nos últimos dois anos. Um aspecto dessa desaceleração é o tempo médio para locação de um imóvel colocado em oferta, que está em torno de 11 meses. "Essa média já foi de quatro a cinco meses. Mas é preciso haver flexibilidade, esse número tem variações, por exemplo, se trata-se de imóveis novos ou não", observa o presidente.

Também houve queda no total de venda de imóveis. Em Porto Alegre, por exemplo, o número de escrituras emitidas mensalmente - incluindo imóveis novos e usados - caiu 18,8% nos últimos cinco anos, conforme dados referentes ao mês de julho. Nos últimos 12 meses, por exemplo, foram 32,6 mil escrituras, uma queda de 6,56% em relação ao período dos 12 meses anteriores. O preço médio do metro quadrado de imóveis usados para venda teve queda da metade de 2015 para 2016, mas apresentou leve aumento de 2016 para 2017. "Os preços ficaram estáveis. A oferta se ajustou à demanda, que reduziu, e as negociações aumentaram", ressalta Schukster.

Outro efeito do período recessivo se fez sentir dentro das imobiliárias, que tiveram de reduzir levemente o quadro de pessoal - em torno de 3% nos últimos 12 meses. "Nos últimos três anos, ficou estável o número de funcionários", informa Schukster, citando dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged): o total de empregados do setor em Porto Alegre era de 4.456 pessoas em junho de 2014, e o número de junho de 2017 é bastante próximo: 4.490.

A volta aos patamares alcançados pelo mercado imobiliário no início desta década passa pela retomada da economia em três aspectos essenciais, segundo Schukster: a possibilidade de financiamento, o nível de emprego e a recuperação da renda. "Se falta um desses fatores, o mercado fica desequilibrado. O imóvel ainda é atraente para as pessoas, mas as verbas de financiamento se reduziram bastante", analisa o dirigente.

Schukster considera que o mercado já dá sinais de reação e acredita em números mais favoráveis no médio prazo. "Em dois anos, os imóveis vão ficar com preço muito maior. Mas o imóvel não dá saltos. A linha é ascendente. Em dois anos, deveremos chegar ao patamar de cinco anos atrás. Vai depender da recuperação dos empregos", prevê o dirigente, acrescentando algum otimismo à análise: "O mercado segue pujante, os negócios continuam sendo feitos, não está tudo parado".

Corretores combatem concorrência ilegal

Número de corretores em atividade vem crescendo, diz Ely MARCELO G. RIBEIRO/JC Além das dificuldades impostas pelo cenário econômico, o mercado imobiliário enfrenta um desafio extra, do ponto de vista dos corretores de imóveis que atuam na linha de frente das vendas e aluguéis. "Sem imobiliárias e corretores, não se comercializa imóveis. Mas vivemos uma realidade complexa, na qual todos acham que são corretores. Nosso desafio maior, hoje, é combater o exercício ilegal da profissão", explica o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-RS), Márcio Bins Ely.

Segundo o conselho, foram registrados mais de 35 mil autos de infração referentes à atuação de corretores não registrados, envolvendo aluguéis e vendas. Um agravante em um mercado que vive um período delicado, com os efeitos da recessão. "Queremos fazer uma parceria com o Ministério Público para coibir essa atividade ilegal", projeta Ely.

Mesmo sem citar números, o presidente reconhece que o período de instabilidade econômica se fez sentir na área imobiliária. "Vivemos momentos de crise política, que se refletiram na economia. Houve retração, uma dificuldade enorme. O imóvel custa, às vezes, a economia de uma vida inteira", observa Ely. O panorama econômico do Estado, em particular, não vem oferecendo melhores perspectivas. Mas, com a atuação distribuída em diferentes partes do Estado, o Creci constata que os efeitos da recessão não são os mesmos em todo o Rio Grande do Sul. "A dificuldade financeira extrema afetou o mercado em todas as regiões do Estado. Mas existem alguns detalhes, algumas regiões que atravessam melhor a crise. A safra de soja atenuou a situação no Interior, e a Serra é mais industrializada. Gramado e Canela também sentiram menos a crise, devido ao turismo", descreve o presidente.

Mesmo com o quadro recessivo, o número de corretores em atividade no Rio Grande do Sul vem crescendo. Este ano, até o mês de julho, foram registrados 1.814 novos profissionais, número que já supera o total de registros feitos em 2016. O total de corretores vinculados ao conselho é de quase 28 mil pessoas. Ely vê nesse crescimento um sinal de que o mercado está se reaquecendo, e acredita no potencial do mercado porto-alegrense no médio e no longo prazos. "A cidade tem um grande desafio, que é a região do Quarto Distrito. Uma área bem localizada, com vista para o Guaíba, próxima do Centro, da rodoviária e do aeroporto. Porto Alegre não pode prescindir de uma área tão nobre", diz Ely.

Fonte: Jornal do Comércio


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